Ser mãe de uma criança autista ou com qualquer outra condição atípica é uma jornada de amor, dedicação e desafios. No Brasil, existem direitos garantidos por lei que muitas mães desconhecem, mas que podem fazer toda a diferença na qualidade de vida de seus filhos e na sua própria rotina.
Hoje, destacamos três direitos essenciais que toda mãe atípica precisa conhecer e exigir quando necessário.
1. Direito à Prioridade no Atendimento e Atendimento Especializado
Lei 12.764/2012 - Lei Berenice Piana
A Lei Berenice Piana, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA), garante que pessoas autistas tenham atendimento prioritário em estabelecimentos públicos e privados, como:
- Hospitais, clínicas e postos de saúde
- Escolas e instituições de ensino
- Repartições públicas
- Bancos, supermercados e outros serviços essenciais
O que isso significa na prática?
Mães atípicas podem exigir fila preferencial e atendimento especializado para seus filhos, sem precisar justificar repetidamente a condição do seu filho. Muitas vezes, o ambiente pode ser desgastante para crianças autistas devido à superlotação, ruídos excessivos e longas esperas. O direito ao atendimento prioritário evita situações de sobrecarga sensorial e garante mais acessibilidade no dia a dia.
Importante: Caso algum estabelecimento se recuse a oferecer atendimento prioritário, denuncie! Esse é um direito garantido por lei e deve ser respeitado.
2. Direito à Educação Inclusiva e Atendimento Educacional Especializado
Lei 9.394/1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)
Toda criança tem direito à educação, e no caso das crianças autistas, esse direito inclui a possibilidade de acompanhamento especializado na escola. A legislação garante:
- Matrícula obrigatória em escolas regulares (públicas ou privadas), sem discriminação
- Direito a um mediador escolar (cuidador, professor auxiliar ou acompanhante especializado)
- Adaptação curricular e metodologias inclusivas
O que isso significa na prática?
Se a escola do seu filho negar matrícula, dificultar o processo de inclusão ou se recusar a disponibilizar um mediador, ela está descumprindo a lei! É direito da criança autista ter acesso a um ensino adaptado às suas necessidades.
Dica para as mães atípicas: Se encontrar dificuldades, peça um laudo médico recomendando o mediador escolar e leve à Secretaria de Educação do seu município. Caso o direito continue sendo negado, registre uma denúncia no Ministério Público da Educação.
3. Direito a Benefícios Sociais e Isenção de Impostos
Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS) - Lei 8.742/1993
As mães atípicas que enfrentam dificuldades financeiras podem buscar apoio financeiro e benefícios tributários garantidos por lei. Entre os principais direitos, destacamos:
- BPC/LOAS (Benefício de Prestação Continuada): Uma renda mensal para famílias de baixa renda que possuem filhos com deficiência e não conseguem se manter financeiramente.
- Isenção de IPVA e IPI: Para aquisição de veículos adaptados ou de uso exclusivo para a pessoa autista.
- Passe Livre em Transporte Público: Crianças autistas e seus acompanhantes têm direito a gratuidade no transporte público interestadual.
O que isso significa na prática?
Se seu filho necessita de deslocamentos frequentes para terapias ou atendimentos médicos, o Passe Livre pode aliviar financeiramente sua família. Além disso, caso precise adquirir um veículo, a isenção de impostos pode reduzir significativamente os custos.
Importante: Para solicitar esses benefícios, é necessário um laudo médico atualizado comprovando o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e sua necessidade específica.
O que fazer se um desses direitos for negado?
Se você encontrar dificuldades no acesso a qualquer um desses direitos, busque orientação legal e denuncie. Algumas formas de garantir que a lei seja cumprida incluem:
- Procurar o Ministério Público do seu Estado
- Acionar a Defensoria Pública para auxílio jurídico gratuito
- Registrar reclamações na Ouvidoria da Educação ou na Secretaria de Saúde do seu município
As mães atípicas desempenham um papel essencial na luta pelos direitos de seus filhos. Conhecimento é poder! Quanto mais mães souberem e reivindicarem esses direitos, mais conseguiremos transformar a realidade da comunidade autista no Brasil.
Juntas, podemos construir um futuro mais justo, acessível e inclusivo para todas as crianças autistas!